domingo, 24 de julho de 2011

sobre o não fazer

Talvez pareça desleixo, má vontade, ou até mesmo indiferença. Deve ser por causa da minha aparente falta de preocupação.
Peço um pouco de tolerância: não é nada disso.
Existem momentos na vida em que nós conseguimos nos sentir realmente livres. É quando parece que não temos nada a perder. Esses momentos, mais do que qualquer outra coisa, são irreversíveis. Eu não diria que fazem bem ou mal - o único problema é que não se consegue fazer nada por obrigação; e "auto-disciplina" soa como uma piada.
E, no dia seguinte, não há como se arrepender do que se fez ou deixou de fazer. O momento permitiu.
É porque nessas horas, nós acreditamos de verdade que a vida, mais do que um todo, é cada pequeno momento.



*Se não entendeu bulhufas, faça o seguinte:
Imagine seu eu com 90 anos; pergunte se ele gostaria de ter passado mais tempo no escritório.

PS: Acho engraçado quando usam a expressão "rebelde sem causa". Como se alguma rebeldia tivesse causa...

sábado, 23 de julho de 2011

cadê?

parece que eu me perdi no caminho.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Eu agradeço a tudo o que me trouxe até aqui,

e dentre tantos aprendizados, não sei se o mais latente foi ter aprendido o que é essa sensação de orgulho - seja do elogio de um professor, seja de um ex-membro aprovado em um programa trainee de alguma grande empresa, seja de um case selecionado para apresentação em um evento do MEJ. Pode até parecer bobo (talvez eu não acreditaria, há pouco mais de um ano atrás, que poderia sentir isso assim, desse jeito), mas quem faz parte é capaz de entender. Nessas horas de sensação de vitória (não sua, mas de toda a equipe), fica mais evidente o quanto vale a pena se dedicar a um trabalho voluntário, enfrentar desafios, ouvir comentários de quem não compreende - "mas você trabalha de graça?" -, deixar de almoçar em casa... tudo isso parece tão pequeno quando pesamos a relação Custo x Benefício. Quem não faz parte de uma EJ pode encontrar mil motivos para continuar de fora, mas nenhum deles é equiparável aos motivos que levam um empresário júnior a continuar sendo um empresário júnior. Foi quando eu cheguei em casa e li que tínhamos aprovado um case no ENEJ que eu comecei a pensar nisso. E continuei pensando enquanto pulava de alegria. E enquanto gritava. E enquanto derramava lágrimas. Será que foi assim que minha mãe se sentiu quando eu dei os meus primeiros passos sozinha?
Parabéns, Cia Júnior Consultoria! A apresentação do case certamente será um sucesso. 


sábado, 18 de junho de 2011

nenhum pretérito é imperfeito

Eu tinha 14 anos quando comecei a escrever no blog. Era uma menina Clarisse. Forte. Não nego que apaguei alguns escritos que postei, porque eles me lembravam coisas que eu prefiro esquecer, e que podiam passar um sentimento ruim a quem lesse. Mas apesar de forte, eu tinha uma capacidade incrível de ser sutil. Talvez alguém que lesse um texto escrito a sangue pensasse que era apenas uma tinta vermelha. Ou marrom-avermelhada - algumas páginas de um caderno antigo não me deixam mentir. Aos 15, dei o meu primeiro beijo e suspirei pela primeira vez. Era uma sensação tão inédita que eu pensava que jamais sentiria aquilo por outra pessoa. Não durou mais que dois meses. Comecei a ler sobre sexo. Descobri que não era algo tão absurdamente restrito a cônjuges ou a pessoas despudoradas como minha família me fazia acreditar. Resolvi estudar mais. Consegui atingir minha meta de obter nota máxima pelo menos uma vez em cada matéria. Vi fadas. Aprendi maneiras antes nunca exploradas de declarar o meu amor: pelo mundo, pelas pessoas, por mim mesma. Amei mais à minha família. Mudei o corte de cabelo aos 16. Tive uma franja. Na mesma semana, o meu pai morreu. Morte súbita. E eu cantei para a morte. Esperei por ela. Vi fadas, dessa vez durante uma aula de Literatura. Reaprendi a viver. Fiquei mais forte. Redescobri aquela sensação: comecei a suspirar novamente. Começo é uma boa palavra para definir essa fase. Comecei também a entender muitas coisas, inclusive o que acontece quando as pessoas morrem. Entendi que mais importante do que fazer promessas a alguém, é ser o melhor possível para alguém, enquanto você pode. Comecei a usar soutien com mais frequência. Comecei a me arriscar mais. A pensar mais em mim. A ser menos dependente de minha mãe - embora até hoje eu seja muito dependente dela. Comecei a me descobrir mulher, usar maquiagem, fazer sobrancelhas, unhas, usar salto alto, vestir lingerie. Três palavras para os meus 17 anos: ousar, permitir e decidir. Eu escolhi fazer Física (para ser uma astrofísica e entender sobre coisas que eu admiro), Jornalismo (simplesmente porque me parecia prazeroso), Química (queria ser alquimista), Medicina Veterinária (enquanto eu pensava que o seu papel era apenas "cuidar" de animais), Biologia Marinha (mergulhar, mergulhar, ir mergulhar na Austrália), Psicologia (e fazer jus à alcunha de "psicóloga" dada pelos amigos), mil coisas. (Até hoje eu tenho vontade de fazer mil coisas). Escolhi não fazer nada. Resolvi que não ia prestar vestibular enquanto eu não tivesse certeza do que eu queria ser. Não contei a ninguém, porque eu era pressionada o tempo todo por todo mundo: familiares, amigos, colegas, professores, desconhecidos. Fiquei despreocupada e a falta de preocupação abriu minha mente: nasci para ser uma administradora. Foi uma decisão tardia. Acabei sendo aprovada em cursos diferentes: Bacharelado Interdisciplinar em Saúde na UFBA, Comunicação Social na UFRB, Administração na UNIVASF e na UESC. Quase me inscrevi para Gastronomia na UFPE, e ainda tenho um pouco de ressentimento por não ter feito isso. Também quase me inscrevi para Cinema na UFRB - uma possibilidade a que eu me entregaria fácil, fácil. Não me arrependo do que escolhi. Administração combina comigo e com minhas ânsias de aquariana. Virei empresária júnior, graças a Deus. Passei a me dedicar mais à minha vida profissional. Às vezes fico sem tempo. Às vezes os meus 14 anos parecem tão tão distantes. Eu já tenho 19, caminhando para os 20 anos. Ainda brinco de coisinhas de menina com minhas primas pequenas - tipo salão de beleza ou bonecas de papel. Dou risada de piadas infantis. "O Menino Maluquinho" ainda é um dos meus livros preferidos. Chamo minha mãe de "mamãe". Tomo danoninho.  Sou uma criança. Ao mesmo tempo em que sou diretora de Marketing de uma empresa de consultoria empresarial. Crio estratégias, zelo por uma cultura organizacional, executo ações que visam atingir a um objetivo; discuto e delibero. Gerencio atividades, lidero uma equipe. Sou uma adulta. E não há nada que possa me definir. Prefiro dizer que sou aquariana - o que, por si só, já deixa explícito que eu sou todas, todas as coisas, alternando-se momentos, situações, lugares e pessoas envolvidas. Sou o que eu me permitir ser.



 

quinta-feira, 16 de junho de 2011

expectativas impossíveis

- Você é sempre assim?
- Assim como?
- Assim.
- Você poderia ser mais compreensível?
- Você é impossível.


You know I can be found
Sitting home all alone
If you can't come around
At least please telephone
Don't be cruel to a heart that's true


- Como?
- Você só faz perguntas?
- Não. É que às vezes parece que você faz questão de que eu não entenda.
- Mas você sabe do que eu estou falando.


Baby, if I made you mad
For something I might have said
Please, let's forget the past
The future looks bright ahead
Don't be cruel to a heart that's true


- Você sabe que eu não sei.
- Sério?
- Sim.
- Você não faz ideia?
- Não.


I don't want no other love
Baby it's just you I'm thinking of
Don't stop thinking of me
Don't make me feel this way
Come on over here and love me
You know what I want you to say


- Seus olhos impossíveis tentando fingir não terem percebido meus arrepios ao seu toque. Sua respiração impossível toda vez que eu chego mais perto. Seus abraços impossíveis que esnobam a febre do meu corpo por você. Sua cor impossível quando eu te olho. Sua impossível indiferença ao meu sorriso discreto de te ver chegar. Seu gosto musical impossivelmente romântico. Todas essas impossibilidades que me criam expectativas.

eu, você, eu, você, eu, vocês

Eu sei que nada foi dito, mas não há como negar o que é perceptível aos olhos de uma aquariana, e foram promessas que eu vi.
Eu odeio promessas, pelo simples fato de que elas podem não ser cumpridas.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sempre

Não desejo muito,
Desejo apenas que isso seja mantido,
Isso que existe entre a gente,
Eu e você, a lua (ou o sol), a praia (ou a montanha), simplesmente,
Juntos como um só, que essa sensação seja guardada.
Para que a nossa relação nos cause completude sempre
Por que “pra sempre” sempre acaba, como na canção,
Já o sempre, permanece, entre sussurros...
Causando arrepios e calafrios no calor da paixão.